A controvérsia do downgrade (parte 3): o alto preço da verdade e do isolamento
Deserção de amigos e estudantes
A Controvérsia Down-Grade provou ser o período mais cansativo e exaustivo da carreira pública de Charles Spurgeon. A sua defesa intransigente da ortodoxia bíblica levou a um profundo isolamento, cobrando um preço emocional devastador. Muitos amigos de longa data, pares ministeriais e aliados eclesiásticos distanciaram-se ativamente dele, preferindo a unidade confortável da União Batista ao difícil caminho da fidelidade doutrinária.
A traição pública do seu próprio irmão, James, que apoiou a declaração de fé comprometida da União, foi bastante angustiante. Mas esta dor foi profundamente agravada pela deserção dos seus próprios estudantes de teologia. Os graduados do seu Pastors' College, jovens que Spurgeon tinha pessoalmente orientado e financiado, encontraram-se presos entre a lealdade ao seu amado presidente e os seus laços com a denominação mais ampla. No final das contas, pelo menos 80 ex-alunos da faculdade rejeitaram a nova declaração evangélica de fé de Spurgeon e ficaram do lado da liberalização da União Batista. Ver seus próprios filhos espirituais falharem em apoiá-lo na defesa do evangelho partiu o coração do pastor.
O custo físico da batalha
O stress crónico, a agonia mental e a profunda desilusão causadas por estas traições não permaneceram meramente psicológicos; eles exacerbaram severamente suas aflições físicas existentes. Spurgeon sofria há muito tempo de batalhas agonizantes contra a gota, o reumatismo e a doença de Bright (uma doença renal crônica). À medida que a controvérsia avançava, sua saúde piorou rapidamente. A intensa depressão que acompanhou este período envolveu-o como uma nuvem escura.
Apesar da dor física e da tristeza emocional, Spurgeon reconheceu a profunda necessidade do seu sofrimento. Ele escreveu intimamente para sua esposa, Susannah, explicando que agora eles tinham que "carregar o duplo fardo de servir e sofrer por ele". A batalha teológica acabou esgotando sua vitalidade restante. Antes de partir para seu retiro restaurativo em Menton, França, pela última vez em 1891, ele confessou a um amigo próximo, "A luta está me matando". Após sua morte em janeiro de 1892, Susannah concordou de todo o coração com esta avaliação, afirmando inequivocamente que "esta luta pela fé custou-lhe a vida".
Disposto a ser comido por cães
Apesar do custo pessoal devastador, Spurgeon nunca se arrependeu de sua ousada posição em favor do evangelho. Ele viu claramente que o futuro da igreja dependia de manter um controle firme sobre a inerrância das Escrituras e a expiação substitutiva. Dirigindo-se aos seus alunos leais durante o auge do conflito, ele demonstrou uma confiança resoluta e profética na vindicação final de Deus.
Em uma de suas declarações mais famosas e comoventes, ele proclamou: "De minha parte, estou bastante disposto a ser comido por cães pelos próximos cinquenta anos; mas o futuro mais distante me justificará." A história de fato justificou o Príncipe dos Pregadores. Hoje, a Controvérsia do Downgrade é universalmente lembrada pelos crentes ortodoxos não como a derrota de Spurgeon, mas como o seu melhor momento – uma posição corajosa e abnegada pela verdade eterna da Palavra de Deus.